terça-feira, 12 de julho de 2005

Bons Tempos

"Instituto fanal cuja história, tradições e lauréis vêm lembrar..."* a esta normalista alguns bons anos de sua vida.

Muitas lições me foram ensinadas ali. Não apenas conhecimento acadêmico, lá conheci (direta ou indiretamente) algumas das pessoas mais importantes na minha vida atualmente, descobri o canto como uma paixão que me acompanhará eternamente, superei uma das maiores dificuldades que tive - uma timidez absurda, intimidadora - pra muitos que me conheceram antes daqueles quatro anos eu era quase uma... autista (rs).

Ao passar em frente ao prédio iluminado tantas coisas voltaram a mente. Tantas pessoas que nem me dava conta da existência em minha memória... J. Terra, a única que realmente me via e não sentia medo de se aproximar - talves pelo fato dos outros sentirem mais medo dela do que de mim - logo depois a Glauce, as duas com as quais falei durante um ano inteiro.

Meus 15 anos... a festa... o "cerimonial" preparado pela minha irmã mais velha... o sentimento catalizador da mudança... a certeza de que eu não era quem gostaria, mas dependia apenas de mim conseguir ser... a frase maliciosa ao pé do ouvido que gerou uma certa raiva, despertou uma revolta que (como na maioria dos adolescentes) já existia e me tirou a noite de sono dando a certeza de que era a hora - "agora é a hora em que um ser humano normal choraria..."

Não era a hora de chorar, mas de romper a barreira de silêncio. E foi lá, no mágico prédio do Instituto, onde eu resolvi "me enfrentar". Quando se é adolescente tudo parece maior, mais difícil, mais injusto, mais assustador... Mas a música ajudou. Logo de cara entrei pro coral e o exercício de me fazer ouvir (afinal eu não cantava bem, mas pra aprender era necessário que me ouvissem e me indicassem o correto) e cantar em palcos para platéias algumas vezes grandes e atentas foi amadurecendo em mim a confiança em todas as outras situações.

Enfim normalista. Eu, uma das poucas alunas que ingressara no curso direto, sem precisar de concurso - ingresso por média -, não conhecia ninguém, mas melhor do que isso ninguém me conhecia. Pude "começar do zero", podería ser quem eu quisesse. Rompi o gelo, conheci todo mundo, mantive um certo mistério, mas dessa vez por gostar de provocar a imaginação alheia - há quem diga que continuei dispertando curiosidade e medo em algumas pessoas apenas por ser seletiva, não falava com qualquer pessoa. Fui representante de turma... Queria saber como era falar com toda a turma, defender o ponto de vista nos conselhos de classe, negociar junto a coordenação a vontade da maioria (sim, democracia sempre!).

Vieram outras pessoas que me marcaríam: Tiago "Melancia" - um dos raros meninos da turma que usava um perfume levemente doce e conquistava todas as "menininhas" do 1º ano -, Ana Paula - e seus treinos de "Tae Kown Do" era nossa guia pelas trilhas da Floresta da Tijuca -, Lucy - que considerei por muito tempo uma grande amiga, mas hoje me pergunto se era mesmo minha amiga como fui pra ela -, Tuca - que eu acredito nunca ter compreendido direito porque ela nunca deixou que ninguém o fizesse -, logo em seguida a Raquel (que encontrei recentemente num ponto de ônibus), a Paty, a Priscilla, todas as meninas do Orfeão, o Jorge, alguns professores maravilhosos, a Lê - que me apresentou a um Anjinho que eu quero muito que faça parte da minha vida até o finalzinho dela -, e Leela - que hoje é a mais importante de todas essas pessoas, minha irmã por escolha, mas que não estará lendo isso porque não gosta de blogs...rs

Bons tempos. Costumo dizer que o que somos hoje é consequência do que fomos um dia. Nossas experiências, nossas escolhas, a personalidade que construímos em meio a infinidade de coisas que já vivênciamos. Definitivamente uma grande parte de tudo isso aconteceu ali, ou naquela época e acabou se refletindo ali.

Mesmo em tempos de crise, onde a qualidade de ensino não é la essas coisas e alguns apelidos maldosos a cerca da instituição e suas alunas ecoam por aqueles corredores, quero acreditar que o Instituto de Educação continue "formando paladinos e conduzindo-os em Luz e labor"*!



* Trechos do Hino "Salve Instituto!" do Instituto de Educação do Rio de Janeiro.

4 comentários:

Rafael da Rua Paper disse...

Escola é uma maravilha quando a gente entra. E é melhor ainda quando sai. : )

Normanda Asterixiana disse...

Boa ou má, adolescência sempre marca, né?

Isis disse...

Parece que postamos sobre o mesmo assunto (na essência...rs) hoje.É muito bom relembrar essas coisas.

Ivana disse...

São os marcos do amadurecimento, gafanhoto...rs